O Brasil sofre com velhas práticas políticas que são responsáveis pela má imagem generalizada dos governantes e políticos junto à sociedade.
E em Santo André não é diferente. Nossa cidade conta com muitos representantes da velha política, e esses representantes representam quase a totalidade daqueles que atuam em nosso município.
O cronograma de alguém que age segundo velhas práticas e pensando no favorecimento próprio, através de políticas pontuais, é sempre o seguinte:
Primeiro ano de administração:
Se o governo anterior era de oposição, o político passa o primeiro ano fazendo duas coisas: uma caça às bruxas, tirando todos os partidários do governo anterior sem nem questionar qual era a utilidade dos mesmos para a cidade, aliada a uma política de justificativas, no melhor estilo "não posso fazer nada porque o governo anterior deixou a cidade em situação de penúria". E essa caça às bruxas recai inclusive sobre funcionários concursados, que contam com pós-graduação em gestão pública e vão trabalhar no almoxarifado só porque tiveram papel relevante na gestão anterior. Desperdício, para quem sempre reclama de falta de funcionários.
Se o governo anterior era aliado, não existe essa justificativa. Então o discurso é o de que "vamos fazer mudanças mais profundas porque agora temos mais liberdade" aliado a um discurso dizendo que "no entanto, o momento econômico da cidade não é dos melhores e teremos limitações para investimento e valorização das carreiras públicas". Afinal, você precisa mostrar aos funcionários que pretende dar no máximo 10% de reajuste nos próximos quatro anos.
Segundo ano:
É o ano do silêncio.
Se o governo anterior for de oposição, a justificativa é a de que "a situação é muito mais difícil do que se pensava" e "teremos que fazer muito para colocar a cidade nos eixos". Enquanto isso, a máquina é aparelhada, os sinais de incompetência aparecem quase diariamente, a imobilidade e a falta de planejamento tornam-se visíveis. E começam a explodir os escândalos e os problemas municipais. E são entregues obras de notória "maquiagem" feitas sob medida para que as pessoas falem "ah, mas eles estão fazendo alguma coisa".
Se o governo foi de situação, é hora de enrolar. "As obras estão em andamento". O discurso é que tudo está ótimo, mas setores importantes da cidade estão à míngua. A maquiagem é mais forte, para tentar esconder a realidade de incompetência e total falta de habilidade da maioria da população.
Terceiro ano
Agora não dá mais pra disfarçar. E nem usar a justificativa de que "o governo anterior era horrível". Então a atitude é a mesma.
A população percebe que a cidade está horrível e cheia de transtornos. Como um novo governo estadual assumiu (ou foi o mesmo, em outro mandato), o prefeito arruma um monte de "parcerias com o governo estadual (ou federal, dependendo de qual dos dois estiver na situação)", começa um monte de obras de maquiagem, a cidade se torna um canteiro de obras. Ao mesmo tempo, o prefeito recruta todos os seus amigos para ajudar na campanha de reeleição, que começa um ano e meio antes. Afinal, o prefeito tem que aparecer como O CARA QUE FEZ, mesmo se, na verdade, não fez absolutamente nada, não planejou nada no seu mandato e é marcado por absoluta incompetência.
E ainda começam a pipocar escândalos de corrupção. Daí você volta a lembrar do governo anterior, mesmo que ele seja de situação. Se é oposição, então, aí está a solução para todos os seus problemas. É hora de fazer a tradicional comparação "olhem eles, são feios e corruptos, querem mesmo que eles voltem?". E a cidade continua abandonada.
Além disso, é o ano em que você pode falar qualquer coisa. Planejar milhares de coisas que vocênão vai fazer, pagar por projetos de obras faraônicas que ficarão prontas daqui dez anos, se ficarem,, é hora de se mexer pra garantir o emprego por mais quatro anos. Usando inclusive seus amigos comissionados, com a óbvia ameaça velada de que "se eu sair, você sai junto".
Último ano
É hora do político tradicional continuar as maquiagens do ano anterior, prometer mais um monte de coisas e falar que a cidade está uma maravilha. Afinal, é hora de garantir a reeleição.
O prefeito inventa obras. Fura coisas aleatórias. Inaugura até faixa de pedestre e semáforo. Promete até base de lançamento de foguete na cidade. Diz que as praias da cidade serão as melhores do país, mesmo que a cidade não tenha praia. Tudo aleatório, sem planejamento, pensando só no impulso momentâneo do cidadão na hora do voto. Depois, dane-se tudo. O importante é a eleição.
Conclusão
Esse tipo de político, infelizmente, é maioria. Esses políticos se caracterizam, mais de pela corrupção, que nunca é simples de provar, pela completa incompetência e pela total falta de interesse pelo bem-estar da população. O seu foco, além do uso da máquina, é apenas no voto do eleitor, e voto o prefeito só precisa de quatro em quatro anos. Nesse interstício, não é necessário fazer nada além de maquiagem.
É desesperador saber que Santo André está recheada desse tipo de político mesquinho, que não pensa na cidade daqui dez ou vinte anos, não investe em planejamento e não pensa na qualidade de vida dos cidadãos. Para 2012, o cenário é igualmente triste, tendo em vista que as rivalidades políticas na cidade são consideradas pela maioria dos postulantes ao Paço Municipal mais importantes do que a própria cidade.
Um bom prefeito será o que colocar a cidade acima de seus interesses pessoais. Se o planejamento estará certo ou se dará errado, é uma outra história, e dependerá muito da consecução do que foi planejado. Mas, sem planejamento, sem idéias consistentes e apenas utilizando a máquina estatal para obras de maquiagem mal feitas, nunca os problemas de Santo André serão resolvidos adequadamente.